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Ciência brasileira: Dra Cristina Stern fala sobre estudo do CBD no tratamento do estresse pós-traumático

7 minutos de leitura
4 de fevereiro de 2020

Você já ouviu falar de estresse pós-traumático (TEPT)? Se trata de um distúrbio caracterizado pela dificuldade em se recuperar depois de vivenciar ou testemunhar um episódio traumático. Muito estudado nos Estados Unidos, mas não apenas lá. Temos ciência brasileira de qualidade sendo feita e publicada em importantes meios. Hoje conversamos com a Dra. Cristina Stern, que coordenou um projeto de pesquisa que demonstrou a capacidade do CBD de atenuar o medo em um modelo de estresse pós-traumático. Você pode encontrar o artigo na íntegra clicando aqui.
Cristina Stern é farmacêutica pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com mestrado e doutorado em Farmacologia também pela UFSC. Tem pós-doutorado pelo Departamento de Farmacologia da UFSC e na Universidade de Bristol – Reino Unido. É professora e pesquisadora do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Paraná, atua na área de Neuropsicofarmacologia, em temas envolvendo a neurobiologia das memórias de medo, o sistema endocanabinoide e a busca de tratamentos para o transtorno do estresse pós-traumático.

Entrevista: 5 perguntas sobre o estudo do canabidiol na consolidação da memória do medo

1- De onde partiu o estímulo para realizar o estudo?

Eu tenho um grande interesse pela área da Farmacologia dos transtornos de ansiedade e de estresse, como o estresse pós-traumático (TEPT). O desenvolvimento do TEPT acontece após uma experiência traumática. Esse fato pode ser um acidente automobilístico grave, uma catástrofe natural, eventos relacionados à violência urbana e/ou doméstica, etc. Aproximadamente 50 % das mulheres vítimas de estupro, desenvolvem esse transtorno, mas aqui no Brasil fala-se pouco sobre isso. Nos Estados Unidos existe um grande incentivo para o estudo dessa doença porque os veteranos de guerra sofrem muito com ela. Esse transtorno acontece principalmente pela formação de uma memória traumática, que faz com que a pessoa evite lugares, situações e/ou pessoas que lembrem o trauma; elas têm fortes crises de ansiedade e com o passar do tempo, muitos não conseguem mais sair de casa, tendo um importante prejuízo das atividades diárias como um todo. O tratamento farmacológico dessa doença é pouco eficaz e age apenas em sintomas não relacionados à memória. Os pacientes com TEPT relatam que o uso de Cannabis melhora vários sintomas que sabemos que estão relacionados à memória. Então, desde 2010, quando comecei meu Doutorado na UFSC, e agora conduzindo o meu grupo de Pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFPR, tenho estudado os efeitos do Canabidiol e dos derivados da Cannabis em modelos animais de TEPT, com intuito de saber se essas substâncias podem enfraquecer a memória traumática, como elas agem e se há algum efeito indesejável que possa inviabilizar o uso da substância no tratamento dessa doença. Então, esse trabalho que foi tema de Mestrado da aluna Ana Maria Raymundi, nós investigamos como o canabidiol interfere com a memória traumática e em quais momentos da formação da memória o canabidiol tem efeito.

2- Por que o CBD foi o canabinoide escolhido?

Nós escolhemos o CBD porque esse fitocanabinoide não apresenta tantos efeitos indesejáveis como o THC, embora no futuro devemos testar o efeito do CBD associado ao THC também.

3- Quais resultados já eram esperados com o uso do canabidiol?

Era esperado que o CBD iria atenuar o início da formação da memória traumática.

4- Algum resultado vocês não esperavam?

Nós não sabíamos se o CBD iria prejudicar a formação mais tardia dessa memória, mas prejudicou! E o mais interessante é que isso aconteceu através de uma mudança no seu mecanismo de ação. Na fase inicial, o CBD atenua essa memória através dos receptores canabinoides CB1 e CB2, mas 1 hora depois, o CBD atenua a memória por interagir com os receptores PPARγ. Isso foi uma surpresa para nós porque esses receptores estão normalmente envolvidos nos efeitos do CBD e do THC em modelos de doenças degenerativas, como o Alzheimer. Essa foi a primeira vez que encontramos esse efeito em modelos de memória traumática. Além disso, nossos resultados mostram que o uso de CBD não apenas imediatamente após o trauma, mas até 1 hora depois, é capaz te atenuar essa memória, o que amplia o tempo que temos para intervir com a formação dessa memória após o trauma. Esses resultados são inéditos e foram publicados em uma revista científica de grande importância na área, o British Journal of Pharmacology.

5- Já planejam realizar mais estudos a respeito?

Sim, uma aluna de mestrado do nosso programa de Pós-Graduação está dando continuidade a esse projeto, onde pretendemos entender como e se o sistema endocanabinoide ativa os receptores PPARγ durante a formação dessa memória. Precisamos entender como isso acontece para que no futuro sejam desenvolvidas estratégicas terapêuticas melhores para tratar o TEPT.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3517813/

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