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Prescrição de cannabis : Dra Paula Dall Stella responde às principais dúvidas dos médicos

min de leitura,      20 de janeiro de 2020

Mesmo o médico que nunca prescreveu ou aquele que está começando a prescrever canabinoides, há sempre alguma novidade a ser estudada sobre a terapêutica canábica. Para responder às principais questões sobre prescrição de cannabis, a CEO da Dr. Cannabis, Viviane Sedola, convidou a médica pioneira em prescrição de canabinoides no Brasil, Dra Paula Dall Stella, para uma conversa repleta de informações. Dra Paula possui um profundo conhecimento sobre o potencial terapêutico da cannabis medicinal. Já tendo, inclusive, publicado relatos de caso sobre a utilização do CBD no tratamento oncológico. Ela considera o uso terapêutico da cannabis uma poderosa ferramenta para melhorar a qualidade de vida de pacientes com condições como dores crônicas, fibromialgia, câncer, doenças neurodegenerativas (como Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, ELA), epilepsia refratária, autismo, doenças autoimunes, entre outras.
As dúvidas que mais recebemos dos nossos médicos são relacionadas à dosagem, resposta do paciente ao tratamento, formas de administração e sobre o polêmico THC. Por isso, estes são exatamente os assuntos que Viviane buscou elucidar em sua conversa com a doutora.

Dosagem

A maioria dos médicos não aprendeu sobre a utilização terapêutica da cannabis na faculdade de medicina e poucos se consideram qualificados para aconselhar os pacientes sobre dosagem. Taxas de CBD:THC, diferentes modos de administração e possíveis efeitos colaterais estão entre as dúvidas mais comuns da prescrição de cannabis. Reunimos nesta série de vídeos os temas mais sensíveis para você incorporar a terapia canabinoide às suas opções de tratamento.

Antes de mais nada, é fundamental saber que a cannabis possui um alto grau de segurança. E que a dosagem de canabinoides é diferente de outros agentes terapêuticos. Por isso, considerar a interação do paciente com o medicamento se faz necessário para que a dosagem seja adequada. Enquanto alguns pacientes usam efetivamente pequenas quantidades, outros usam doses incrivelmente altas. A indicação, portanto, é iniciar com pequenas dosagens e ir aumentando conforme a necessidade.

O paciente iniciou o tratamento. Quando ajustar a dose?

Os efeitos colaterais e a resposta terapêutica são fatores que devem ser levados em consideração quando o ajuste da dose for necessário. O ideal é que o paciente utilize a menor dose terapêutica possível, onde ele terá menos interação medicamentosa, possivelmente menos efeitos colaterais e uma resposta terapêutica adequada.

Além disso, os resultados e efeitos adversos obtidos no tratamento com cannabis são influenciados por todos os aspectos do dia-a-dia do paciente, uma vez que o sistema endocanabinoide se relaciona com todos os sistemas do organismo, com a genética e com a epigenética. Por isso é um importante estabelecer uma relação com mais profundidade com o paciente. Desta forma, será possível determinar a melhor dosagem, o melhor horário para que o medicamento seja utilizado e também a necessidade de ajustes.

 

Posologias específicas para epilepsia e autismo

Há muitos estudos em andamento para elucidar as dosagens específicas para cada doença. A literatura atual já descreve posologias específicas para epilepsia e autismo. A recomendação é sempre iniciar com doses baixas. Em torno de 0,5 miligramas por quilograma de peso/dia. Esta dosagem pode chegar a até 50 miligramas por quilograma de peso/dia. Mas raramente os pacientes necessitam da dosagem máxima.

Vias de administração

A via sublingual é a mais utilizada hoje no Brasil. Ela possui um tempo de ação prolongado e a duração também. Costuma ser mais fácil para o paciente controlar a dose prescrita na hora da utilização do medicamento e também para acessar produtos de forma legal através da autorização da Anvisa. Para utilizar, basta pingar as gotas do óleo rico em canabinoides embaixo da língua, esperar entre 1 e 2 minutos e ingerir com água o restante que ficar na boca.

THC

Os pacientes que se tratam com cannabis têm a opção de não experimentar os efeitos intoxicantes do THC. Os medicamentos que chegam hoje no Brasil já possuem uma concentração inferior à 0,3% de THC. Apesar de não ser suficiente para produzir os efeitos associados ao uso da substância, o THC –assim como todos os outros fitocanabinoides – exerce uma função importante. Isso porque, por menor que seja a concentração do canabinoide, existe uma interação sinérgica entre todos os compostos da cannabis que confere um perfil terapêutico melhor ao produto.

Vale lembrar que doses mais altas de THC possuem contraindicações. Elas são:

  • Gestantes
  • Lactantes
  • Crianças
  • Adolescentes
  • Pessoas que operam máquinas ou vão dirigir
  • Psicose ou casos de esquizofrenia na família devem ser avaliados em relação ao risco vs benefícios

A importância do Sistema Endocanabinoide

A melhor forma de começar a estudar a terapêutica canábica é pesquisando sobre o sistema endocanabinoide. Ele está relacionado com todos os sistemas do corpo e entender o papel dele e a forma como interage com cada sistema é fundamental para aplicar a terapia canabinoide.

 

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