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Dra Gabriela Gonçalves: Medicina canábica e o sistema endocanabinoide

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4 min de leitura,      13 de dezembro de 2019

A Cannabis foi uma das primeiras plantas cultivadas pelo homem. Registros arqueológicos de diferentes civilizações demonstram que a planta era fonte de fibras para fabricação de tecidos e cestos, associada a práticas religiosas e, de forma medicinal, usada para o tratamento de dores, náusea em gestantes, ansiedade, como anti-inflamatório, entre outras situações.

Em 1839, o médico Sir William Brooke O’Shaughnessy acompanhou os primeiros estudos experimentais da Cannabis em animais e, a partir de suas descobertas favoráveis auxiliou na propagação do uso de extrato da planta pela Europa e Estados Unidos. Entretanto, foi só na década de 1960 que o pesquisador Rafael Mechoulam, em Israel, conseguiu isolar os principais componentes da Cannabis, aos quais chamou de canabinóides, eram eles o Tetrahidrocanabinol (THC) e o Canabidiol (CBD).

Após a descoberta de Mechoulam diversos estudos se seguiram e em 1988 foi identificado um receptor celular para o THC em células do cérebro, posteriormente denominado receptor endocanabinóide 1 (CB1). Em 1993, um segundo receptor foi descoberto e designado receptor endocanabinóide 2 (CB2). Descobriu-se também os ligantes endógenos a esses receptores, chamados de Anandamida e 2- Araquidonoil-glicerol (2AG). O conjunto de receptores CB1 e CB2, ligantes endógenos e enzimas de síntese e degradação dessas substâncias constituem o Sistema Endocanabinóide (SEC).

Para entender melhor sobre esse sistema é importante saber que os receptores CB1 e CB2 pertencem à superfamília dos receptores de membrana acoplados à proteína G e a ativação desses receptores promove a supressão da excitabilidade neuronal e inibição da liberação de vários neurotransmissores. A distribuição tecidual dos receptores CB1, principalmente nos gânglios da base, cerebelo, hipocampo, neocórtex, hipotálamo e córtex límbico, corno posterior da medula espinhal e em nervos periféricos, explica a maior parte dos efeitos psicotrópicos dos canabinóides, uma vez que essas regiões são relacionadas respectivamente a atividade motora, coordenação, memória de curto prazo, pensamento, apetite, sedação e dor. Os receptores CB2 são encontrados principalmente em regiões periféricas como trato gastro intestinal, músculos e células do sistema imune, o que em parte pode explicar os efeitos dessas substâncias sobre a dor e a inflamação.

Os cientistas descobriram então, que o Sistema Endocanabinóide exerce funções reguladoras importantes, particularmente no sistema nervoso central e periférico e no imunológico, e portanto é um alvo terapêutico potencial para vários distúrbios. Mais importante, a modulação da atividade do SEC se mostrou promissora em uma ampla gama de doenças e condições patológicas como epilepsia, distúrbios do movimento, espasticidade, Parkinson, esclerose múltipla, dor crônica e neuropática, inflamação, transtornos de humor e ansiedade, câncer, aterosclerose, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, hipertensão, obesidade / síndrome metabólica e osteoporose, náuseas e vômito, doenças cardiovasculares, glaucoma, entre outros.

 

Sobre Dra Gabriela Gonçalves

Diretora Médica da Ease Labs

Graduação em Medicina UFMG 2013

Especialização em Medicina Interativa Uniube 2018

Pós Graduação em Nutrologia ABRAN 2019

Especializanda em Homeopatia Instituto Mineiro de Homeopatia

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