maio 23, 2019

O médico que popularizou a cannabis medicinal no Ocidente

história
5 min de leitura

O médico irlandês William Brooke O’Shaughnessy foi um dos responsáveis por introduzir a cannabis na medicina ocidental. Após realizar pesquisas na Índia e publicá-las na Europa, ele estimulou o uso medicinal da cannabis e a realização de mais estudos em todo o Ocidente.

Vamos entender melhor como isso aconteceu?

Em 1833, O’Shaughnessy aceitou um emprego como cirurgião assistente na East India Company, em Calcutá. Isso despertou o seu interesse pela vida na Índia.

Entre 1833 e 1841, ele pesquisou as propriedades medicinais de uma variedade de plantas nativas do País. E foi a partir de suas interações com os povos indígenas que conheceu os efeitos terapêuticos da cannabis. Na região, tanto a cannabis como outras plantas eram utilizadas para fins medicinais e sociais há milhares de anos.

Ao analisar a literatura médica contemporânea do Ocidente, O’Shaughnessy pouco descobriu sobre as propriedades terapêuticas da cannabis. As únicas referências disponíveis estavam focadas principalmente em seus efeitos “intoxicantes”.

Em contraste, nos materiais da Índia existiam muito mais informações sobre possíveis tratamentos utilizando a planta. Ao se deparar com ambos os cenários, O’Shaughnessy realizou uma série de experimentos com a cannabis em animais como ratos e coelhos. Após se certificar que a planta era segura, ele passou a testar a eficácia em humanos.

Em 1839, o médico apresentou sua pesquisa a um grupo de estudantes e acadêmicos da Sociedade Médica e Física de Calcutá. Na ocasião, foram expostos os estudos de casos de pacientes que sofriam de doenças como: cólera, reumatismo, hidrofobia, tétano e raiva. O estudo também contou com observações da aplicação da cannabis medicinal em um bebê de 40 dias que tinha convulsões.

O’Shaughnessy revelou ter tido sucesso limitado no tratamento do reumatismo, mas afirmou que o alívio da dor proporcionado pela cannabis foi perceptível. Ele comentou ainda que o tratamento de hidrofobia ou cólera com cannabis também não foi altamente bem sucedido, mas novamente observou os efeitos benéficos para aliviar a dor e acalmar. O’Shaughnessy acreditava que mesmo a cannabis não sendo uma cura para tais doenças, a planta poderia ser aliada como parte de um tratamento.

O médico observou avanços para a repressão de espasmos musculares associados a condições como tétano e raiva. Hoje, muitos pacientes que se tratam com cannabis medicinal, usam a planta para aliviar a espasticidade (espasmos e rigidez) associada a casos como esclerose múltipla, distonia e doença do neurônio motor.

Ao conseguir deter as convulsões sofridas com uma criança de 40 dias, O’Shaughnessy declarou: “a profissão ganhou um remédio anticonvulsivo de maior valor”.

Nos últimos anos, a cannabis tornou-se um importante medicamento para tratar doenças que muitas vezes apresentam convulsões potencialmente fatais, como a epilepsia.

O médico irlandês também acreditava que a cannabis poderia ser utilizada como anestésico e para proporcionar alívio significativo da dor. Assim, concentrou grande parte de sua pesquisa nessas áreas.

O’Shaughnessy continuou os estudos e, após retornar à Inglaterra, produziu dois trabalhos com algumas plantas indígenas da Índia. Ele lançou The Bengal Dispensatory, em 1842, e The Bengal Pharmacopoeia, em 1844. Ambas publicações levaram a um aumento do interesse pelas propriedades medicinais de determinadas plantas, incluindo a cannabis.

A pesquisa de O’Shaughnessy foi republicada rapidamente em diversos e importantes jornais médicos europeus. Um dos pontos positivos foi o incentivo para o aumento de estudos sobre a cannabis. Logo, outros países em toda a Europa e no mundo estavam realizando pesquisas e produzindo suas próprias descobertas sobre a cannabis medicinal.

A iniciativa do Dr. William Brooke O’Shaughnessy é de extrema importância para incentivar novos estudos e, principalmente para que pacientes com diferentes diagnósticos possam se beneficiar com mais qualidade de vida e possibilidade de tratamento.


Quer saber se a cannabis medicinal pode tratar sua condição? Cadastre-se.

Gostou do artigo?
Avalie:

Loading...