Viviane Sedola: Reunião sobre o Uso Medicinal da Cannabis no Senado

8 min de leitura

Recebi um convite da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para participar da Reunião sobre o Uso  Medicinal da Cannabis no último dia 9 de julho, no Senado Federal, em Brasília (DF).

Além de parlamentares e representantes do Governo, estiveram lá AMA+ME Brasil, Familia Apepi, Cultivebr e Dra Carolina Nocetti com depoimentos emocionantes e emocionados. Essa foi uma experiência bastante interessante e enriquecedora, na qual observei os seguintes pontos sobre o debate sobre o uso medicinal da cannabis:

> Notei uma polarização enorme entre os que são a favor e aqueles que são contrários;
> Percebi que os argumentos contrários ao uso medicinal medicinal da cannabis estão, em grande parte, relacionados ao uso social da cannabis e que precisamos separar as pautas;
> Aprendi que há pesquisa científica para provar qualquer um dos lados de qualquer teoria;
> Reforcei a convicção de que os pacientes em alívio são a maior evidência que se pode ter;
> A Senadora Mara Gabrilli como paciente e congressista tem bastante clareza sobre o tema, logo, é a favor;
> Concluí que a regulação e a legislação são caminhos sem volta, temos agora que participar para que os resultados sejam bons e adequados.

Veja o vídeo em que comento sobre a Dr. Cannabis, uso medicinal da cannabis e dados deste mercado no mundo. Logo abaixo, você pode ler o texto com a minha fala na íntegra, com as fontes de informação e referências citadas.

 

REUNIÃO SOBRE USO MEDICINAL DA CANNABIS
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH)
Senado Federal / Brasília, 09 de julho de 2019

O que você faria se seu filho tivesse 80 convulsões por semana?
Fazendo uma conta rápida: isso representa uma convulsão a cada 2 horas.

E se você descobrisse que existe um óleo que, quando pingado embaixo da língua do seu filho, poderia fazer com que ele parasse de convulsionar por meses seguidos? Essa é a história de muitas famílias do Brasil que estão aqui representadas.

Hoje nos deparamos com um importante passo que a Anvisa dá ao abrir para consulta pública uma proposta de regulação do cultivo e pesquisa de cannabis medicinal. A Anvisa cumpre com o seu papel na proposta, que é o de dar acesso a quem tem o uso legítimo a um medicamento seguro.

Sabemos que todo medicamento tem seus riscos. Os da cannabis são conhecidos e podem ser controlados farmacologicamente: um deles é a psicose com altas doses de THC, a tal da psicose farmacologicamente induzida – assim como o Elidopra, medicamento para Parkinson vendidos em farmácias e que outros vários medicamentos regulados fazem.

Outro risco é o prejuízo cognitivo agudo em jovens, que também pode ser causado por anestésicos, álcool, Diazepam, Rivotril. Sabemos, inclusive, que os antidepressivos disponíveis no mercado não têm comprovação científica de eficácia testadas além de oito semanas, mas há pacientes tomando ininterruptamente por anos.

Ao abrir a possibilidade de pesquisa científica, a Anvisa permite que seja feita a gestão clínica adequada do paciente para reduzir ao mínimo esses riscos, assim como já é feito na indústria farmacêutica há anos. Quero lembrar que quando falamos sobre cannabis, estamos falando sobre substância menos aditiva que o álcool e que não tem nem um caso de óbito por overdose registrado no mundo quando administrados óleos a partir da planta, os fitocanabinoides, e não medicamento sintético.

De fato, os fitocanabinoides são tão seguros que são comercializados como suplemento alimentar em diversos países como Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa.

Sabemos, sim, que os quadros clínicos mais dramáticos são exceções e vocês legisladores, Senadores, aqui presentes precisam governar para as massas e para todos os cidadãos. No entanto, não é papel da Anvisa contemplar a economia brasileira. Este sim, é papel dos Poderes Executivo e Legislativo.

Eu estive em diversos países como Panamá, Uruguai, Colômbia e Israel, e afirmo que não veremos nesta vida um mercado tão reprimido ser aberto e regulado como o de cannabis.

Então endereço a vocês, Senadores aqui presentes, o que eu, empresária do mercado de cannabis, enxergo como oportunidade. O Brasil tem vocação para a agricultura e a regulação proposta não prevê, por exemplo, a exportação de matéria-prima resultado do cultivo de cannabis no Brasil ou outras formas beneficiar a nossa economia e população diante de tamanha oportunidade.

Alguns dados interessantes sobre o impacto são:

Uruguai:
– que em novembro do ano passado teve a empresa nacional ICC Labs adquirida pela canadense Aurora por USD 290 milhões.
– quero lembrar que a população do Uruguai é do tamanho de Campinas, no interior de São Paulo. A ICC tem a maior estrutura de extração de óleo de cannabis da América Latina, na zona franca do aeroporto de Montevideo.

Canadá:
– Coletou USD 186 milhões em impostos em apenas 5 meses e meio de regulação
Fonte: GlobalNews

EUA:
– Contabilizou 300 mil vagas de empregos em empresas associadas à Cannabis em 2018;
– Dos sete estados que diferenciam os impostos coletados em produtos à base de cannabis, foram coletados mais de USD 1 bilhão em impostos, que são de 10% a 37% maiores do que aqueles do varejo comum;
– Washington foi o estado que mais coletou impostos: USD 319 milhões;
– Esses impostos são revertidos para a construção de escolas, programas de combate ao abuso de drogas e pesquisa médica. (Dados da revista Forbes)
– Segundo a CNBC, em março deste ano, o mercado de cannabis parece ser o que mais aumenta a geração de empregos no país.

O uso medicinal da cannabis legal já é uma realidade no Brasil, as famílias que podem pagar pelo alto custo do tratamento já têm acesso. Um número provavelmente maior é o de famílias que ainda recorrem aos inúmeros riscos da ilegalidade para conseguir se tratar. O mercado de cannabis é um caminho sem volta e, no pior dos cenários, teremos um Brasil consumidor e exportador de lucros para outras nações.

Em cenário realista: nós temos o sol, temos o solo e toda a competência e potencial para explorar comercialmente a cannabis medicinal e a cannabis (ou cânhamo) industrial e ser um grande exportador. O Brasil é agro. Cabe agora criar as condições legais para que isso aconteça. Contamos com esta casa para isso!

Fotos: André Oliveira


Viviane Sedola | Dr Cannabis

 

VIVIANE SEDOLA
CEO & Founder da Dr. Cannabis

 

 

 


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