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Cannabis e idosos: veja como a planta ajuda na saúde nesta fase da vida

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12 de agosto de 2021

Cannabis e idosos: será que a planta pode melhorar a qualidade de vida na terceira idade?

Quase um quinto da população brasileira tem mais de 60 anos, de acordo com um estudo realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Isso significa que existem cerca de 37,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais só no Brasil. Diante de uma população cada vez mais velha, seria a Cannabis uma opção para tratar as doenças mais comuns entre idosos?

Além de notar o processo de envelhecimento da sociedade, é importante entender em qual situação se encontra essa parcela da população. Outro dado relevante da pesquisa é que apenas 32% têm plano de saúde e 58% apresentam comorbidades.

De acordo também com o IBGE, mais de 70% das pessoas dependem do SUS (Sistema Único de Saúde) para serem atendidas.

E as doenças mais atendidas no SUS são a hipertensão e a diabetes, que acometem, principalmente, as pessoas idosas.

Além dessas duas patologias, as pessoas com mais de 60 anos também são acometidas com regularidade por doenças como Parkinson, Alzheimer e câncer.

Hoje, já existem estudos que mostram evidências de que a Cannabis tem potencial terapêutico para tratar essas doenças.

Vamos entender um pouco mais sobre essas patologias e como a Cannabis pode ajudar no tratamento dessas doenças comuns entre idosos.

Hipertensão

A Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) estima que 33% da população do país seja hipertensa. Esse percentual aumenta para 65% quando se trata de pessoas com mais de 60 anos.

A hipertensão é uma doença silenciosa por ser assintomática. Quando os sintomas surgem, significa que o quadro já apresenta complicações, como é o caso de dores no peito, que podem indicar um infarto, uma das principais consequências do problema, que leva à morte de centenas de milhares de pessoas pelo mundo.

Um estudo da Universidade Ben-Gurion de Negev e do Centro Médico de Soroka, em Israel, publicado em janeiro de 2021, concluiu que a Cannabis pode beneficiar idosos com hipertensão.

O estudo, publicado no European Journal of Internal Medicine, monitorou 26 pacientes com mais de 60 anos. Foram feitas as seguintes avaliações: monitoramento ambulatorial da pressão arterial por 24 horas, ECG, exames de sangue e medidas antropométricas antes do início da terapia com Cannabis e 3 meses depois.

O estudo concluiu que a Cannabis reduziu as “pressões sistólicas e diastólicas: a primeira diminuiu em 5,0 mmHg e, a segunda, em 4,5 mmHg” e “o ponto mais baixo foi registrado três horas após a ingestão da Cannabis , seja por via oral, através de extratos, ou fumando.”

Diabetes

A diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Seu diagnóstico se dá por um simples exame de sangue

A Sociedade Brasileira de Diabetes realizou em 2021 uma atualização dos dados dos números do Censo Diabetes e estima que, hoje, no Brasil, existam mais 12 milhões de pessoas com a doença. Cerca de 90% possuem diabetes do Tipo 2 e entre 5% e 10%, possuem diabetes do Tipo 1.

A doença pode afetar os idosos da mesma maneira que afeta as pessoas mais jovens, porém quem tem mais de 60 anos é acometido mais pela diabetes do Tipo 2 devido à resistência aos efeitos da insulina ou a produção insuficiente de insulina por causa do envelhecimento.

Apesar de especialistas não afirmarem exatamente qual o tipo de mais grave, porque a análise precisa ser feita de forma individual, esse quadro aumenta a probabilidade de complicações cardíacas e vasculares em idosos, aumentando os riscos de morte e de amputação.

Porém, a Cannabis pode ajudar os idosos a tratarem essa doença.

Um estudo realizado pela equipe do químico Raphael Mechoulam, uma das maiores autoridades canábicas do mundo, apontou que o CBD (canabidiol) reduziu a incidência de diabetes em camundongos diabéticos não obesos.

“Nossos resultados indicam que o CBD pode inibir e atrasar a insulite destrutiva e a produção de citocinas inflamatórias associadas a Th1 em camundongos NOD [modelo espontâneo de diabetes autoimune], resultando em uma diminuição da incidência de diabetes, possivelmente por meio de um mecanismo imunomodulador que muda a resposta imune da dominância Th1 para Th2”, afirmaram os pesquisadores.

Parkinson

A doença de Parkinson ocorre por conta da degeneração de células cerebrais, afetando os movimentos e causando tremores, desequilíbrio, lentidão de movimentos, rigidez muscular e alterações na fala e na escrita.

Segundo a Associação Brasil Parkinson, apesar da doença poder afetar qualquer pessoa, porém, a patologia tende a afetar pessoas mais idosas. Os primeiros sintomas aparecem na grande maioria das pessoas a partir dos 50 anos. A associação estima que 1% das pessoas com mais de 65 anos têm a doença de Parkinson.

A progressão da doença varia de paciente para paciente, mas sua evolução tende a ser lenta, regular e sem rápidas mudanças. Porém, seus efeitos impactam diretamente na qualidade de vida da pessoa, principalmente na questão da lentidão dos movimentos.

Mas a Cannabis pode colaborar com a melhora da saúde dos idosos que sofrem com essa doença.

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, realizaram um estudo observacional aberto para avaliar o efeito clínico da Cannabis nos sintomas motores e não motores da Doença de Parkinson.

Vinte e dois pacientes com a doença, atendidos em uma clínica de distúrbios motores, entre 2011 a 2012, foram avaliados no início e 30 minutos após fumar Cannabis. Os pacientes foram submetidos a seguintes ferramentas de medição: Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson, escala visual analógica, escala atual de intensidade de dor, Short-form McGill Pain Questionnaire e o questionário do National Drug and Alcohol Research Center, do Medical Cannabis Survey.

O estudo concluiu que a pontuação total média (SD) da Escala de Avaliação da Doença de Parkinson Unificada melhorou significativamente de 33,1 no início do estudo para 23,2 após o consumo de Cannabis. Houve também melhora significativa dos escores de sono e dor.

Alzheimer

O Alzheimer é o tipo de demência mais comum que causa problemas na memória, no pensamento e no comportamento. Segundo a Alzheimer’s Association, o paciente com a doença vive, em média, oito anos após o surgimento dos sintomas.

Estima-se que no Brasil exista cerca de 1,2 milhão de pessoas com Alzheimer, sendo a maior parte delas ainda sem diagnóstico, de acordo com Associação Brasileira de Alzheimer.

Uma das formas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde, é controlar o diabetes e a pressão arterial, duas doenças comuns em idosos que podem aumentar o risco de Alzheimer em até 50%.

Pesquisadores da Universidade de Haifa, em Israel, fizeram uma revisão em estudos científicos em modelos animais e em humanos com foco no uso da Cannabis na meia idade, na velhice e na cognição.

Os resultados apontaram que que o uso de Cannabis em idades avançadas pode estar associado à melhora da saúde do cérebro, por causa das suas propriedades neuroprotetoras presentes nos canabinoides.

Câncer

A idade é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. De acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer), idosos possuem 11 vezes mais chances de desenvolver a doença do que as pessoas mais jovens. Os tipos de câncer mais comuns entre os idosos são: tumor de pele não melanoma, próstata, mama, cólon, reto, pulmão e estômago.

A Cannabis pode ser uma opção do tratamento dos idosos que sofrem com essas enfermidades. A planta possui propriedades anticancerígenas e de combate a dor, as náuseas, os vômitos e os efeitos adversos da quimioterapia.

Um dos primeiros estudos que apontou o potencial terapêutico dos canabinoides no combate ao câncer foi realizado em 1975, por Munson, que descobriu que os canabinoides suprimem o crescimento das células do carcinoma pulmonar de Lewis, um modelo tumoral usado em estudos sobre o desenvolvimento de metástases e angiogênese e muito usado para avaliação da atividade de novos compostos quimioterápicos.

Uma revisão feita por pesquisadores na Alemanha se propôs a resumir o papel do sistema endocanabinoide e dos compostos canabinoides na progressão tumoral. A conclusão foi que “o conhecimento atual sugere compostos canabinoides servem como um grupo de drogas que podem oferecer vantagens significativas para pacientes que sofrem de doenças cancerígenas.”

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