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Uso da Cannabis afeta a fertilidade? Entenda

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27 de maio de 2021

A infertilidade pode gerar apreensão, ansiedade e frustração entre muitos casais que sonham em ter um bebê. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que 50 a 80 milhões de pessoas em todo o mundo podem ser inférteis e que os casos relacionados à infertilidade estão divididos igualmente entre homens e mulheres. Porém, há fatores externos que podem impactar na saúde reprodutiva. Será que o uso da Cannabis afeta a fertilidade?

Os estudos relacionados à Cannabis e a infertilidade ainda podem ser mais bem explorados, porém já há evidências científicas que podem ajudar a guiar médicos e pacientes em casos ligados à reprodução e o consumo da planta.

Quando o assunto é sobre infertilidade e Cannabis em mulheres, a ciência traz algumas respostas mais coesas. Apesar do aumento da frequência do uso de maconha estar associado à melhora da função sexual entre usuárias do sexo feminino, segundo estudo publicado no Journal Of The International Socity for Sexual Medicine, quando o assunto é fertilidade, os resultados não são tão promissores.

Revisão publicada no Journal of Ovarian Research, com o intuito de descrever e discutir dados de estudos humanos, animais e in vitro sobre o papel do sistema endocanabinoide nos tecidos e processos reprodutivos femininos, chegou a conclusão de que os efeitos dos canabinoides exógenos podem interromper os mecanismos homeostáticos (equilíbrio das funções químicas) do Sistema Endocanabinoide nos processos reprodutivos femininos e levar à infertilidade por meio da desregulação da função ovariana.

Outro estudo associou o uso da Cannabis fumada a um tempo médio menor da concepção em relação às mulheres não-usuárias da planta nessa modalidade, portanto, há indícios de que planta afeta a fetilidade.

Outra pesquisa que corrobora com a tese de que Cannabis pode impactar negativamente na fertilidade feminina foi realizada em animais por pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá. Segundo o estudo, os ovos femininos expostos ao THC, o ingrediente psicoativo da Cannabis, têm a capacidade prejudicar a produção de embriões viáveis ​​e são significativamente menos propensos a resultar em uma gravidez viável.

Infertilidade masculina e Cannabis

Se os estudos científicos indicam que a Cannabis não deve ser consumida por mulheres que querem engravidar, as pesquisas relacionadas à Cannabis e a infertilidade masculina ainda são conflitantes e carecem de mais esforços para que se chegue a uma conclusão tanto no que envolve a fertilidade quanto à função sexual.

Pesquisadores norte-americanos realizaram um estudo randomizado em espermatozoides de ratos e humanos sexualmente maduros expostos ao THC que apontou que a substância teria provocado mudanças no DNA dos espermatozoides, além dos homens que fumavam Cannabis apresentarem uma concentração menor de espermatozoides comparada àqueles que não faziam uso da planta.

Isso indica que a fertilidade masculina pode ser prejudicada pelo consumo do THC. Porém, os próprios pesquisadores alertam para a necessidade de novos e maiores estudos.

Entretanto, uma pesquisa publicada em fevereiro de 2019, na Human Reproduction, apontou o contrário dos resultados dos pesquisadores estadunidenses.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que fumar maconha estaria associado a uma pior qualidade do sêmen. Estudos anteriores sobre a Cannabis sugeriram que ela está associada a efeitos negativos na saúde reprodutiva masculina.

Para este estudo, os pesquisadores coletaram 1.143 amostras de sêmen de 662 homens entre 2000 e 2017. A análise das amostras de sêmen mostrou que os homens que fumaram maconha tinham concentrações médias maiores de espermatozoides em comparação a homens que nunca fumaram Cannabis.

O estudo também descobriu que, entre os fumantes de Cannabis, o maior uso estava associado a níveis mais elevados de testosterona sérica.

Em publicação divulgada no site de Harvard, o principal autor do estudo, afirmou que as descobertas foram contrárias à hipótese inicial. No entanto, elas são consistentes com duas interpretações diferentes.

“A primeira sendo que baixos níveis de uso de Cannabis podem beneficiar a produção de esperma por causa de seu efeito no sistema endocanabinoide, que é conhecido por desempenhar um papel na fertilidade, mas esses benefícios são perdidos com níveis mais altos do consumo de maconha”, afirmou Feiby Nassan, pesquisador de pós-doutorado na Harvard Chan School.

Diante dos estudos apresentados, o ideal é que o médico prescritor avalie os riscos diante de casos de pacientes que buscam a terapia canábica, mas tem a intenção de terem filhos.

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